Preservar a resiliência hídrica, evitar o enfraquecimento da Diretiva-Quadro da Água

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Ursula von der Leyen – Presidente, Comissão Europeia

Teresa Ribera – Vice-Presidente, Comissão Europeia

Stéphane Séjourné – Vice-Presidente, Comissão Europeia

Jessika Roswall – Comissária para o Ambiente, Resiliência Hídrica e uma Economia Circular Competitiva

Valdis Dombrovskis – Comissário para a Economia e Produtividade; Implementação e Simplificação

Cc: Secretária-geral Ilze Juhansone

Bruxelas, 18 de fevereiro de 2026

Caro Presidente, Vice-Presidente, Caros Comissários,

Escrevemos em nome das associações que representam os três pilares da Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica para expressar a nossa profunda preocupação com o anúncio, na Comunicação sobre o Plano de Ação RESourceEU, de uma revisão da Diretiva-Quadro da Água no segundo trimestre de 2026. Instamos a Comissão a abster-se de reabrir ou alterar a Diretiva-Quadro da Água. Tal medida resultará quase certamente no seu enfraquecimento, quando o foco deveria ser acelerar a sua implementação e aplicação, tal como indicado na Estratégia de Resiliência Hídrica.

A resiliência hídrica é um elemento central da adaptação às alterações climáticas; é um pré-requisito para as transições ecológica, digital e económica da Europa, para a segurança alimentar e para o cumprimento do direito humano à água e ao saneamento (HRWS).

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TOMADA DE POSIÇÃO DA FEDERAÇÃO SINDICAL EUROPEIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS (FSESP/EPSU) SOBRE ESTRATÉGIA de RESILIÊNCIA HÍDRICA

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Aprovada na 79.ª reunião do Comité Executivo da FSESP/EPSU, 26-27 de Novembro de 2025

A Federação Sindical Europeia dos Serviços Públicos (FSESP/EPSU) congratula-se com a comunicação da Comissão Europeia sobre uma Estratégia de Resiliência Hídrica.
Em particular, congratulamo-nos com o reconhecimento da Comissão Europeia de que o actual modelo de gestão da água não é sustentável e com a decisão de colocar a resiliência hídrica no topo da agenda política. No entanto, a estratégia carece de medidas concretas, e a tendência crescente da Comissão para promover soluções de mercado suscita preocupações.

Como comentou Jan Willem Goudriaan, Secretário-Geral da EPSU: «O mercado provou que não é capaz de gerir setores estratégicos que são fundamentais para a vida humana e a economia – e esse é precisamente o caso da água. A Comissão precisa de ouvir os cidadãos que exigiram uma abordagem baseada nos direitos humanos em relação à água há mais de uma década.»

Este documento descreve a resposta da FSESP/EPSU à Estratégia de Resiliência Hídrica da Comissão Europeia.

Separar as águas

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Por José Maria Pós-de-Mina, Abril Abril

Mais do que meras visões setoriais, o que necessitamos é da inserção dos recursos hídricos no modelo de desenvolvimento económico e social que se impõe tomar para o País.

Dois dias antes de ir por água baixo, o Governo apresentou em Coimbra, a 9 de março, uma suposta Estratégia para a água que batizou como «Água que Une». Entretanto, já em gestão, voltou a realizar iniciativa pública sobre o assunto. Em 19 de Março repetiu em Beja a apresentação, numa ação que mais parece virada para o período eleitoral do que para a solução dos problemas da gestão dos recursos hídricos.

O Governo do PSD/CDS prepara uma alteração à política da água. Sendo o Governo que é, as conclusões de todos os estudos estão tiradas à partida: liberalizar, mercantilizar, privatizar

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Manuel Gouveia, Abril Abril

A água é seguramente um dos bens mais preciosos para a nossa espécie. E para todas as espécies com quem compartilhamos o ecossistema. É, pois, natural e naturalmente importante que a discutamos.

A água é mais do que social, na medida em que devemos ter consciência que ela não só é indispensável à sobrevivência da única espécie auto-consciente conhecida no Universo – nós – como é indispensável à generalidade das formas de vida no planeta Terra.

Este carácter ultra-social deveria conduzir à sua declaração como património colectivo não titulável, objecto de políticas públicas que promovam o seu bom uso, circular como circular é o seu ciclo de vida original, assente em políticas racionais e sociais, sociais na medida em que garantam não só a preservação do recurso como o seu uso equitativo por todos.

O Governo do PSD/CDS prepara uma alteração à política da água. Sendo o Governo que é, as conclusões de todos os estudos estão tiradas à partida: liberalizar, mercantilizar, privatizar. As políticas dos governos anteriores, incluindo os do PS, deixaram a porta aberta à privatização do sector, para o que falta um elemento central: é preciso aumentar o preço da água. A «devolução» pelo Governo à ERSAR (o «regulador») do poder de impor aumentos de tarifas (para 2026, depois das autárquicas, que estas medidas são sempre pensadas a pensar no mesmo) destina-se a provocar esse aumento.

O «regulador» assim o tem exigido, ou seja, assim o tem exigido a entidade encarregue de colocar o sector público da água a funcionar como se fosse privado, gerando lucros, para assim poder ser privatizado. E de facto, para o sector poder gerar lucros é preciso aumentar o preço da água. E aumentar em todo o lado. Apesar das privatizações anteriores da água se terem revelado um desastre completo – veja-se o caso de autarquias que tiveram de atolar-se em dívidas para sair dos buracos para onde tinham saltado – a receita não se altera, só muda a forma. E, neste caso, a solução é simples: se colocarem os utentes da água a pagar por esta ao nível do que pagam pela energia, este sector torna-se altamente «lucrativo».1 E, portanto, passível de ser entregue à gestão privada para exploração.

«É claro que, no dia em que um copo de água da torneira custar dez cêntimos, muitas famílias irão medir bem quantas vezes abrem a torneira. Mas as piscinas dos ricos continuarão cheias, pois eles podem pagar esse preço, e os investimentos das empresas serão para procurar vender água para piscinas e não copos a dez cêntimos.»

E agora aparecem os pseudo-radicais de fachada ecologista a exigir o mesmo: um preço justo. Mas nesta reivindicação violam a palavra «justo», pois no seu liberalismo «justo» é o valor no mercado que imponha uma determinada relação de oferta/procura. Neste caso, «justo» é aumentar o preço da água para lhe reduzir o consumo. Como se o «consumo» sustentado de água destruísse água e não fizesse parte do ciclo natural da água. Como se o condicionamento através do preço do acesso aos bens essenciais pudesse – nesta sociedade capitalista assente na desigualdade crescente – ser alguma vez justo. É claro que, no dia em que um copo de água da torneira custar dez cêntimos, muitas famílias irão medir bem quantas vezes abrem a torneira. Mas as piscinas dos ricos continuarão cheias, pois eles podem pagar esse preço, e os investimentos das empresas serão para procurar vender água para piscinas e não copos a dez cêntimos.

O preço «justo» destes «ecologistas» e o preço «não subsidiado» da ERSAR são, neste como em tantos casos, a mesma coisa: a mercantilização da água, para que esta possa ser colocada a gerar lucros ao capital. Mesmo que à custa do acesso das famílias a este bem essencial, mesmo que à custa de uma gestão realizada a pensar na maximização do lucro a curto e médio prazo, e não da preservação do recurso.

E terminariam ambos da mesma forma: a facilitar a privatização do sector da água. Ambos instrumentos – mais ou menos conscientes – do capital, cujas pulsões insanas e insanáveis são o verdadeiro motor da delapidação de recursos à escala global e nacional.

Não há um preço justo para a água. Ela é demasiado preciosa para ser mercantilizada.

REALIZAR OS DIREITOS HUMANOS À ÁGUA E AO SANEAMENTO DE 2 MIL MILHÕES DE PESSOAS É UM DESAFIO DEMOCRÁTICO, NÃO É UMA OPORTUNIDADE DE NEGÓCIOS

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O mais recente Relatório do Relator Especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento, Pedro Arrojo-Agudo, aborda o “Nexo entre Água e Economia: a gestão da água para usos produtivos a partir de uma perspectiva de direitos humanos.

Nele, Arrojo critica a mercantilização da água e a privatização dos serviços de abastecimento de água e saneamento e defende que a água e os ecossistemas aquáticos, incluindo os serviços, devem ser geridos como bens comuns no domínio público. O papel crucial da água requer a gestão dos ecossistemas aquáticos, do ciclo da água e da própria água de forma justa e sustentável, envolvendo as populações.

Dia Nacional da Água 2024 – Os acordos lesa-pátria

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Luísa Tovar

Avante, 3 Outubro 2024

A gestão danosa da água em Portugal, caracterizada por uma afectação perdulária da água, favorecendo os negócios privados de muito grande dimensão e descurando todas as funções e utilizações essenciais, têm-se agravado aceleradamente desde a 4ª revisão da Constituição da República, em 1997, que escancarou as portas aos brutais negócios de privatização dos sectores estratégicos – nomeadamente, água e energia.

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A ofensiva contra a água pública

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UM DIREITO NÃO PODE SER UM NEGÓCIO!

A privatização nunca será solução. É preciso uma gestão pública robusta e competente, agir na preservação e protecção de todos os valores da água, assegurar o direito à água e saneamento para todos, valorizar o serviço público, os trabalhadores do sector e reforçar o investimento público.