| 22 de Março – Dia Mundial da Água |
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| 18-Mar-2008 | |
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Afirmar o direito à água, exigir gestão pública de qualidade Num momento que se abate como nunca o espectro privatizador sobre a água em Portugal, o STAL, a Associação Água Pública e a CGTP-IN lançam uma campanha em defesa da gestão pública deste bem essencial à vida humana e assumem o propósito de assinalar o dia 22 de Março, Dia Internacional da Água, como um dia de luta contra a sua mercantilização. De forma quase silenciosa e ao arrepio da Constituição da República, há muito que os sucessivos governos, com destaque para o actual, têm vindo a criar as condições institucionais, jurídicas e materiais para a privatização da água. Nesse plano, sublinhamos negativamente a Lei da Água e a Lei de Titularidade dos Recursos Hídricos, diplomas que, na prática, consagram a espoliação do direito à água, para instituir direitos de propriedade e facilitar o mercado da água. As concessões do domínio público hídrico (água, infra-estruturas e território) significam num primeiro tempo, a venda dessa água a quem mais pagar por ela, seja para “captar” ou para “poluir”; significam subconcessões de direitos privativos de uso de margens e das águas, que por sua vez serão rentabilizados pela revenda de ingressos e serviços e significam ainda a transferência das infra-estruturas e terrenos públicos para o património empresarial de grandes empresas como a EDP e as grandes multinacionais do sector. É ainda o caso do PEAASAR II que, em versão mais liberal que o antecessor, não só contraria a experiência globalmente positiva da gestão pública de distribuição de água e saneamento de águas residuais pelos municípios – como manifesta o intenso propósito de promover a entrada de capitais privados na prestação destes serviços à população e o objectivo de concentrar o sector na esfera do poder decisório do Estado Central, pelas mãos da Águas de Portugal, SA. Tal como aconteceu no passado, com o processo de subtracção aos municípios da competência na captação de água e da sua concentração nos sistemas multimunicipais, o Governo prossegue a ameaça às autarquias de que se não entregarem os serviços de água, os munícipes serão “severamente” castigados pela exclusão do acesso ao abastecimento e ao saneamento. Paralelamente, e sob os falsos pretextos de uma maior utilização racional da água, da coesão social e da equiparação de tarifários, o Governo, prepara-se para liquidar a autonomia municipal na fixação dos preços da água, com o objectivo de impor a aplicação do princípio da recuperação do custo dos serviços, o que levará a um significativo e generalizado aumento dos preços da água. E por via da elaboração do chamado Regime Jurídico dos Sistemas Municipais e Intermunicipais dos Sistemas de Água, Saneamento e Resíduos, pretende facilitar a privatização e ao mesmo tempo, colocar o sector sobre a alçada de um sistema regulatório cuja lógica consubstancia um recuo à visão de um “Serviço Público” direito das populações. A fusão das Águas do Minho-Lima, Águas do Cávado e Águas do Ave Em terceiro lugar, este é um processo que afecta gravemente os direitos dos trabalhadores afectos ao sector e que não pode ser desligado das actuais ofensivas ao emprego público. Concentrar para privatizar! A verticalização do sector, associando captação, tratamento e distribuição de água, seguido da sua concentração, com a formação de monopólios regionais, tem um objectivo claro: “engordar” a empresa Águas de Portugal, para tornar mais atractiva a sua futura privatização, facto que determinará, de uma só penada, a privatização de todas as empresas multimunicipais. E sabe-se que se este processo não foi ainda iniciado é porque não está completo o plano de canalização do investimento público, dos fundos de coesão e de transferência de propriedade pública para as Águas de Portugal. No entanto, e cedendo aos interesses privados, o governo decidiu já a alienação da Aquapor, empresa que, no âmbito das concessões municipais, presta serviços a cerca de 345 mil clientes directos em 24 municípios. Este é o futuro que o governo planeia para os serviços de água. Esta é a realidade em algumas autarquias que, irresponsavelmente, procedem à privatização dos serviços, provocando aumentos de preços, a exclusão dos mais pobres e desfavorecidos, a perda de controlo democrático, a falta de transparência, a redução de direitos de utentes e trabalhadores e a submissão da água aos períodos de curto prazo que marcam as estratégias das empresas. Mas este é o caminho que pela nossa parte não deixaremos que se concretize, em defesa da água pública, do direito de todos ao acesso à água e de serviços públicos de qualidade para todos. Por isso mesmo, e em conjunto com a Associação Água Pública e a CGTP-IN, decidimos iniciar uma Campanha Nacional sob o lema «Água é de todos, não o negócio de alguns», acção que, em traços gerais, consistirá na distribuição de cem mil desdobráveis à população, na realização de exposições e sessões públicas, na recolha de assinaturas para um abaixo-assinado «Pelo direito à água, por uma gestão pública de qualidade» lançado durante a realização do último Congresso da CGTP e no contacto com diversas organizações e entidades, como são os casos das reuniões já realizadas com várias autarquias do Minho e com Sua Excelência o Arcebispo de Braga, no sentido de sensibilizar e congregar esforços contra uma política que põe em causa o Poder Local Democrático, os direitos das populações e dos trabalhadores. Estamos certos de que é possível inverter este caminho e é urgente fazê-lo. Estamos confiantes que os trabalhadores, as populações, saberão resistir e dizer não à privatização da água. Ficheiros relacionados
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